Os Beatles foram uma boy band?

Olá amantes da música, tudo bem?

Eis aqui a resposta desta pergunta que não quer calar (para muitos, porque pra mim, a resposta sempre foi ‘sim’).

De certa forma, essa questão é histórica, porque o termo “boy band” não existia até a década de 1980, e não foi usado em seu sentido atual até a década de 1990, muito tempo depois da separação dos Beatles. Por outro lado, acho que muitas das pessoas que respondem a esta pergunta estão baseando suas respostas em uma lógica que é algo assim:

  1. Boy bands são um saco.
  2. Os Beatles não são um saco.
  3. Portanto, os Beatles não são uma boy band.

 

Sobre o termo “boy band”

Dicionário Oxford define boy band como: “Um grupo pop composto por rapazes jovens e atraentes, cuja música e imagem são projetadas para atrair principalmente o público adolescente.” A primeira referência documentada no Dicionário Oxford para o termo “boy band” foi em um artigo de 1985 no The Guardian sobre uma nova onda de bandas pop inglesas, chamadas The Waterboys e The Cult.

Nem os Waterboys nem o The Cult eram bandas pré-fabricadas, mas eram grupos que escreviam suas próprias músicas. Eles eram “boy bands” no sentido de que seus membros eram jovens do sexo masculino, e tinham uma audiência adolescente temperamental, mas a palavra “boy band” não tinha originalmente conotações de ser uma coisa fabricada ou sem autenticidade.

 

A primeira referência documentada de “boy band” no sentido mais atual do termo veio de um artigo de 1993 no Newsday sobre o New Kids on the Block. O artigo dizia: “A boyband de Boston está ficando velha demais para seu público principal – os menores de 16 anos”. Depois da década de 1990, eu diria, é quando o termo “boy band” começou a absorver mais conotações negativas de bandas com integrantes sem talento e fabricadas para atrair meninas adolescentes e pré-adolescentes. Houve uma época em que reality shows para formar boy bands foram criados (era cada uma pior do que a outra!). Sem falar no ” boy band boom”, onde de uma só vez surgiram os Backstreet Boys, NSYNC, Five, 98 Degrees, O-Town e por aí vai…

 

Agora, vamos aos Beatles

Se você desconsiderar as conotações negativas que se ligam à palavra “boy band” e apenas olhar para o significado literal da palavra, então você pode afirmar que os Beatles se qualificaram como “boy band”. A definição do Dicionário Oxford diz que uma “boy band” é simplesmente um “grupo pop composto por rapazes jovens e atraentes”. Os Beatles eram jovens? Fato! Quando os Beatles fizeram sua estreia americana no The Ed Sullivan Show, eles tinham entre 20 e 23 anos. George Harrison nem tinha idade legal para beber em alguns estados americanos. Os Beatles eram do sexo masculino? Sim. Os Beatles eram um grupo pop? Certamente, como se pode conferir nos primeiros álbuns.

 

As pessoas se negam a chamar os Beatles em sua fase inicial de “boy band” por causa das conotações negativas que se ligam à palavra “boy band” e não por causa do significado claro da palavra. Um dos argumentos seria que os Beatles não podem ser uma “boy band”, porque eles escreveram suas próprias músicas, mas há muitos músicos e grupos, como os Hanson, por exemplo, que foram classificados como “banda de meninas”, mesmo compondo as próprias músicas.

 

Vamos aos fatos

O erro em excluir os Beatles em sua fase inicial da categoria “boy band” é que ignora-se completamente como os Beatles tiveram sua imagem moldada e desenhada conscientemente, especialmente por seu empresário Brian Epstein, para atrair o público mais amplo possível de garotas adolescentes.

Observe essas fotos dos Beatles (1960–1961)

Naquela época, os Beatles usavam jaquetas de couro e tinham essa pinta de malvadões do gueto. Eles pareciam mais uma gangue do que uma banda, rs!

Agora, veja o que os Beatles se tornaram depois que Brian Epstein “deu um trato” nos rapazes:

 

Se isso não é uma boy band, então é o que?

 

É boy band ou não é?

É mais do que óbvio que essa reformulação dos Beatles foi uma decisão consciente de “apelar” para o mercado adolescente. Uma outra forma de constatar o interesse pelo público adolescente feminino foram os inúmeros covers que os Beatles fizeram de músicas de “grupos de meninas”. Para citar alguns: The Cookies (“Chains”), The Shirelles (“Boys”, “Baby It’s You”), The Marvelettes (“Please Mr. Postman”) e The Donays (“Devil in Heart”). Os próprios Beatles continuaram a gostar de músicas do estilo “girl band”, muito depois de terem deixado de registrar versões cover do gênero. George Harrison foi processado por plagiar inconscientemente “He’s so Fine” das The Chiffons quando escreveu “My Sweet Lord”. Da mesma forma, o “novo” single dos Beatles, “Free as a Bird”, apresentava uma linha de Paul McCartney que soava suspeitamente parecida com a Remember (Walking in the Sand), das The Shangri-La.

 

Foi “boy band” sim, mas só no comecinho…

Sim, os Beatles evoluíram para ser muito mais do que uma mera “boy band” (ao meu ver, são superestimados, mas é apenas a minha opinião), mas se você insiste que os Beatles não começaram como uma, você está ignorando completamente a fase inicial dos Beatles, talvez pelo fato do termo “boy band” soar, de certa forma, pejorativo hoje em dia.

Abra a sua mente e aceite que a sua banda favorita “apelou” para conseguir notoriedade. Estavam errados? Não. Foi uma forma de serem conhecidos e conquistarem mercado em uma época que era beeeeeem mais difícil do que hoje. Há quem diga que a “fase boy band” já acaba como o lançamento do álbum A Hard Day’s Night (1964), começando assim a “era de ouro” da banda.

É o que costumo dizer: os Beatles foram uma boy band antes do LSD (ou será que já usavam antes?).

Cya!

 


 

**Brinde**

Para terminar, compartilho esse infográfico maravilhoso (by MSJONESNYC) que mostra a “fórmula de uma boy band” (em inglês), ou seja, todos os elementos necessários para criar uma boyband de sucesso. Advinha por onde tudo começou? Nos Beatles, é claro!

Para melhor visualização: https://msjonesnyc.com/#/the-boy-band-formula/

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